O primeiro ano depois que pedi demissão: como me tornei nômade digital


Você já deve ter ouvido falar que viajar nos transforma, traz incontáveis experiências maravilhosas e blablabla. Concordo absolutamente! Mas hoje eu vou contar como uma viagem mudou completamente os rumos das minhas aspirações profissionais.

Tá, não foi uma viagem qualquer. Foi lá na China!

Como me tornei nômade digital na China

Lá no outro lado do mundo foi onde eu trabalhei formalmente pela última vez. Quando digo "formalmente", me refiro a trabalhar no escritório, de segunda à sexta (incluindo sábados, no caso da China) e cumprindo horários.

Após várias tentativas frustradas de empregos formais (nesse post eu explico cada uma delas em detalhes), pedi demissão e resolvi tentar algo diferente: fazer freelas. Pra quem não sabe, freelas ou freelances são trabalhos temporários, também conhecidos como "bicos" por alguns.

Estar na China me ajudou a conseguir dois trabalhos já de cara: professora particular de português e intérprete. Apesar de ambos serem bem remunerados, a grana ainda estava curta para o meu planejamento. Continuei procurando alternativas, até que encontrei várias oportunidades para trabalhar como freelancer virtualmente, através das plataformas Elance e oDesk. Há muitas outras similares, mas essas foram as que eu usei.

Atualização: Elance e oDesk agora se uniram e viraram Upwork.

E o que começou como uma necessidade, acabou se tornando uma opção. Percebi que trabalhar dessa forma me dava uma liberdade que eu nunca havia tido antes: posso escolher os projetos que mais gosto e a maioria deles me permite trabalhar no horário que quero e ainda negociar quantas horas vou cumprir por semana. Além de tudo, adeus escritório!


Conforme fui sendo contratada para vários projetos, o orçamento finalmente começou a ficar no verde e os meus olhinhos brilharam! Foi assim que me tornei nômade digital, sem ao menos ter conhecimento desse conceito até então. Aliás, escrevi um post explicando melhor o que é isso e trazendo uma opção incrível para os adeptos. Leia aqui ;)

Mas voltando... Quero destacar que desgarrar do escritório não significa apenas evitar o trânsito e trabalhar de casa, mas, sim, trabalhar de qualquer lugar que tenha internet: OLÁ, VIAGENS!

Mesmo podendo trabalhar e viajar ao mesmo tempo, fiquei folgada. Usei a flexibilidade dos projetos ao meu favor e programei todos para terminarem logo antes de ir embora da China. Com tempo livre e minhas economias financeiras, fiquei um mês inteirinho só viajando pela Europa e pelos Estados Unidos S2

Viagem de férias em Budapeste
Destaque para Budapeste... Ô cidade pra me fazer feliz!
Voltei para o Brasil ainda com umas reservas e me dei ao luxo de ficar mais um tempo sem trabalhar, só descansando.

Enquanto eu decidia se ia tentar pegar um emprego fixo no Brasil, alguns empregadores dos projetos virtuais me contataram de novo para oferecer mais trabalhos. Aceitei uns, neguei outros e apliquei para algumas vagas em Floripa - minha cidade natal.

AINDA BEM que não consegui nada! Quando fui negada na última vaga que tentei, senti um imenso alívio. Cada vez mais eu sinto que quero continuar viajando e que ter um emprego fixo seria uma grande pedra no meu caminho. Apesar de viver de freelas parecer uma atitude irresponsável ou arriscada, essa foi a oportunidade que eu encontrei de fazer com que o trabalho não seja um empecilho para aquilo que me faz feliz. A falta de vínculos empregatícios pode trazer insegurança sim, mas será que a liberdade não compensa?

Se você me perguntar sobre carreira profissional, saiba que um freelancer pode muito bem ter uma carreira. Basta ser competente, trabalhar certinho e saber escolher os projetos. Assim, nunca vai faltar trabalho, seja pela internet ou presencialmente.

E quanto ao salário?

Quando o assunto é trabalho, independentemente de virtual ou presencial, salário é salário. Por mais que você considere flexibilidade, liberdade, carreira e etc, o salário sempre vai pesar no fim do mês - ou da semana, já que agora recebo semanalmente.

Eis que eu nunca me senti tão desvalorizada como quando comecei a procurar empregos no Brasil. Não pelo fato de não ter conseguido nada que tentei, mas pelas ofertas em si. Percebi que na China, onde eu sequer dominava o idioma local, fui contratada para uma função não operacional na qual eu recebia quase 3x mais o que se oferece por aqui. Tudo bem que o aqui, no caso, é Floripa. Tenho plena consciência de que em outras cidades brasileiras se paga muito mais. Mas, pesando o custo de vida e todas as outras implicações de morar e trabalhar nessas outras cidades, não acho que vale muito a pena.

Agora você deve estar imaginando quanto se ganha nesses tais projetos virtuais que eu venho falando... Então vamos falar em valores: no meu primeiro projeto, caprichei e trabalhei 3 horas mesmo sabendo que só ia ganhar 15 USD no final (eu poderia ter levado menos tempo, mas preferi começar construindo uma boa reputação). Ou seja: $5 por hora, sendo que 10% ficou retido como comissão do oDesk. Não é muito, mas dificilmente se começa já ganhando super bem. De novo, isso vale tanto para empregos virtuais quanto para os presenciais. E, obviamente, seu salário também vai depender da sua qualificação e área de atuação.

Voltando ao meu caso... com o surgimento de novos projetos, fui adquirindo experiência e qualificações positivas por parte dos empregadores. Isso deu credibilidade para eu ir subindo a minha taxa horária.

Atualmente, um ano depois, estou trabalhando por 18 ~ 20 dólares por hora. Muita gente ainda não se contentaria com isso, mas até que estou satisfeita por enquanto. Além da flexibilidade e mobilidade, trabalho menos horas e me sobra muito mais tempo para as atividades pessoais. Pra mim, isso compensa N benefícios que um emprego formal pode me dar.

Outra coisa que gosto bastante nesse ambiente profissional virtual é a imensa variedade de "cargos", alguns dos quais eu jamais havia pensado que poderiam existir. Só para você ter uma ideia, já trabalhei lendo tweets aleatórios por horas para selecionar os que poderiam virar notícias importantes em tempo real. Na época da Copa do Mundo, havia empresas pagando para pessoas segurarem placas em estádios específicos. Já encontrei até oferta de trabalho para testar o Google Glass!

Conclusões:

1. Por que mesmo que a China foi responsável por essa reviravolta na minha carreira?
- Trabalhar lá não é pra qualquer um. É difícil se adaptar a um trabalho onde as pessoas nunca pensam parecido com você... Essa experiência me rendeu uma flexibilidade profissional ímpar;
- Se eu estivesse no Brasil ou em qualquer outro país onde fosse mais fácil trabalhar formalmente, provavelmente teria me acomodado dessa forma;
- Os trabalhos aleatórios que fiz por lá acabaram me dando exatamente a experiência que precisava pra conseguir meus projetos virtuais;
- Eu estava na China, o que significa 3 aviões (no mínimo), dois dias viajando e uma passagem cara de distância do Brasil. Quando tudo parecia ter dado errado, eu não podia simplesmente voltar pro meu país para corrigir as coisas. A opção era fazer dar certo lá ou fazer dar certo lá.

2. Meu primeiro ano após pedir demissão foi incrivelmente promissor, tanto que sinto um pavor só de pensar em voltar para um escritório.

3. Meus ganhos como freelancer nesse mesmo ano foram suficientes para me sustentar e fazer 2 viagens internacionais. Cabe ressaltar que tenho um estilo bem econômico de viver e de viajar!

4. O melhor de tudo é saber que não preciso mais esperar pelos 30 dias de férias do ano para fazer o que tanto amo na vida: viajar. Falando nisso, já estou com a próxima viagem marcada! Só não decidi ainda se vou trabalhar viajando, reorganizar as horas para antes e depois da viagem ou, simplesmente, me dar férias :D


...Antes de finalizar, quero deixar claro que não acho que todo mundo deva largar seus empregos para ser nômade digital. Cada um tem sua história de vida, suas aspirações e limitações. A ideia aqui foi só mostrar um estilo diferente de vida que, pelo menos até agora, está funcionando muito bem pra mim. Belezinha?

Qualquer dúvida, fique à vontade para perguntar nos comentários. Se você também tem uma experiência nômade-digital-viajante pra contar, adorarei conhecer a sua história!


Com o que eu trabalhei na China
11 coisas que aprendi morando na China
Casas nômades: mais uma facilidade par aos nômades digitais


Se você curte os artigos do Mundo de Viajante, cadastre-se aqui para receber os próximos posts no seu e-mail. É gratuito e eu prometo que nunca enviarei nenhum spam!

Para não perder nenhum conteúdo, acompanhe-nos também pelo Twitter e Facebook.
Compartilhe no Google Plus

Sobre Mayumi Tsuruyama

Me formei em Administração por adorar o universo empresarial. Mas também sou freelancer e blogueira, por amor ao mundo e à liberdade. Encaro todas as viagens que já fiz e ainda farei como trajetos de uma viagem maior, que é a vida. Seja como turista, estudante, trabalhadora ou mochileira, viajar me completa. E eu ainda tô longe dos 100%!
    Comentar via Blogger
    Comentar via Facebook

13 comentários:

  1. Eu sinceramente, quero muito que tudo dê certo na minha vida profissional aqui no Brasil. Mas, se não... eu vou ficar feliz igualmente, vou virar nômade também. Obrigado por compartilhar suas experiência.

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É sempre um prazer poder compartilhar as experiências trazidas pelas viagens!

      Quanto a trabalho e estilo de vida, é muito importante ter flexibilidade mesmo, bem como vc disse. Só que eu fui pelo lado oposto: se não der certo como nômade, depois eu volto pro Brasil hehehe

      Abraços e obrigada pela visita!

      Excluir
  2. Ola Mayumi !! Comecei lendo seu site/blog por conta de um post que você fez nos melhores destinos, e a intenção inicialmente era apenas saber mais infos de san andres para qual eu vou agora em setembro com minha namorada e a principio era apenas mais um site qualquer que iria visitar. Mas me identifiquei muito com alguns pontos e no fim acabei aqui nesse post, e em vários outros que, diga-se de passagem, achei todos fantásticos (os que eu li hahah) !!! Parabéns pelo site, ele eh excelente!! Sou um apaixonado por viagens também, e já visitei alguns dos países pela qual você passou, e fui a alguns que não vi em seus relatos mas sei que devem estar na sua lista de próximos destinos hahaha!! Parabens Mais uma vez !! =D =P

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Marcelo. Que alegria ler esse seu comentário! Receber um feedback desses é um baita incentivo pra continuar escrevendo sem achar que to "falando com as paredes" hehehe...

      E manter contato com apaixonados por viagens assim como eu é sempre enriquecedor. Tem vários lugares que visitei e que não escrevi a respeito, por falta de tempo ou porque achei que não tinha muitas dicas úteis pra dar a respeito. Mas aceito sugestões, viu? Tanto de próximas viagens quanto de posts que talvez estejam faltando por aqui ;)

      Muito obrigada por acompanhar o site e pelo comentário! Grande abraço de viajante!

      Excluir
  3. Ola Mayumi tudo bom!! Tenho acompanhado as sua publicações e são otimas. Fiquei bem interessado nesse tipo de trabalho, confesso que não imagina que existisse algo assim. Para inicar nesse mercado, o que você me acondelharia, por onde começar? Desde já agradeço a sua atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Pilates! Tudo bom e com vc?

      Muitíssimo obrigada por acompanhar as publicações aqui do MdV! Fico muito feliz em saber que você está curtindo :D

      Pois é, esse modelo de trabalho "freelancer digital" ainda não é muito popular mesmo, principalmente aqui no Brasil. Eu só fiquei sabendo como funcionava há +- dois anos, que foi quando comecei. Pra começar, não tem muito mistério! Primeiro você precisa ter um nível de inglês no mínimo perto do intermediário. Quanto melhor o seu nível, mais fácil vai ser de conseguir ser contratado para os projetos. Então se ainda não tem esse domínio de inglês, o primeiro passo é: estude inglês (não necessariamente em cursos pagos, pode ser em casa mesmo). Caso inglês não seja problema pra você, basta se cadastrar lá no Upwork e começar a se candidatar para os trabalhos anunciados. Crie um perfil completo e bem escrito, ressaltando suas habilidades e experiências, leia as regras e dicas da plataforma e o mais importante: na hora de aplicar pra uma vaga, ressalte o que você sabe fazer que vai ser útil àquele projeto em particular. No início é mais difícil porque você ainda não tem referências, mas depois vai ficando mais fácil. Quando for contratado para algum projeto é necessário dar o seu melhor pra garantir a reputação lá em cima.

      É isso! Espero ter ajudado... Boa sorte!!

      Excluir
  4. Cara, tu e demais!!!! Sinto imensa vontade de largar esse escritório e sim eu amo viajar! Nunca havia lido nada do tipo, me fez lembrar um vídeo que vi no youtube chamado "You are doing what you love right now?". Esse seu post me encheu de esperanças, sei que preciso melhorar muito meu inglês e isso abrirá tantas portas, preciso fazer meu intercâmbio já. Tu trouxe todas as esperanças a minha vida hahah
    Obrigada por compartilhar isso conosco. Bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Haha valeu, Danusia! Você não imagina o quanto eu fiquei feliz com o seu comentário, de verdade :D Incentivar as pessoas dessa forma é um dos principais motivos pelo qual eu faço o Mundo de Viajante.

      Isso mesmo, faça o seu intercâmbio (tenho posts sobre meus intercâmbios em Dublin e nos Estados Unidos, caso lhe interesse: http://www.mundodeviajante.com/2015/10/intercambio-na-irlanda-dublin.html e http://www.mundodeviajante.com/2015/01/como-e-morar-nos-eua.html e outro com dicas de como escolher onde fazer o intercâmbio: http://www.mundodeviajante.com/2015/10/onde-fazer-intercambio-em-tempos-de.html) e estabeleça metas ou bole alguma estratégia pra garantir que você está caminhando para realizar seus sonhos.

      Um super beijo pra você!

      Excluir
  5. Mayumi querida, caraaa eu acho até que vou voltar a escrever depois disso! rsrsrs

    ResponderExcluir
  6. Oi Mayiumi !!
    Gosto muito de viajar, e também sou mais do estilo "aventureiro" do que "turista".. mas começar pela China? Confesso que nao to nesse nível hahaha..
    Enfim.. parabéns pelo texto. Estou buscando me informar mais sobre "nomadismo digital" e você ajudou bastante. Muito legal sua experiência.

    Sucesso!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahahaha! Cara, muitas vezes as experiências que achamos mais improváveis é que são as melhores ;)
      Obrigada pelos parabéns, fico feliz em saber que consegui ajudar. Não sei se você chegou a ver, mas tenho outros posts sobre nomadismo digital mais recentes que não estavam linkados aqui! São eles: http://www.mundodeviajante.com/2016/06/viajar-e-trabalhar-pela-internet-rotina-nomade-digital.html e http://www.mundodeviajante.com/2015/12/ser-freelancer-para-viajar-pelo-mundo.html

      Um abraço e sucesso pra você também nessa empreitada nômade ;)

      Excluir
  7. Quais são seus freelances? Fiquei curioso! Começou com qual projeto?
    Muito inspirador.Abs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Guilherme!

      Meu primeiro projeto no oDesk foi de testar um joguinho infantil, todo em português. Já no Elance eu tive mais sorte: comecei escrevendo sobre roteiros turísticos - foi isso que me plantou a sementinha para começar o blog :) Atualmente meu principal projeto tem a ver com filmes em lançamento e Twitter, mas também faço umas traduções aleatórias para clientes diversos.

      É muito legal essa variedade de opções que o mercado de trabalho oferece pros freelancers, né?

      Um abraço!

      Excluir

O que achou do artigo? É sempre gostoso ler as opiniões e contribuições de quem passa por aqui!
Se tiver alguma dúvida, leia a Política de comentários do Mundo de Viajante.