CouchSurfing: é seguro e vale a pena?


Antes de responder essa pergunta, vamos começar pelo começo...

O CouchSurfing é uma comunidade gigante, com mais de 9 milhões de membros espalhados pelo mundo.

Couchsurfing é seguro

A principal proposta é conectar pessoas que estejam dispostas a compartilharem suas vidas com estranhos. Parece louco, mas por que não? Antes de você encontrar motivos, entenda que o resultado desse compartilhamento é uma experiência de viagem que o dinheiro não compra.

Como funciona: de um lado, tem alguém que abre as portas da sua casa para receber alguém. Do outro lado, está um viajante que quer ser hospedado por um morador da cidade que irá visitar. O anfitrião não cobra nada e, normalmente, o hóspede não fica mais do que três noites. Mas esse período é bem variável.

O hóspede tem três grandes vantagens:
(1) Consegue as dicas de "o que fazer" mais completas e sinceras de todas, que não se encontra na internet e muito menos em agências de turismo;
(2) Ganha um amigo e, muitas vezes, um companheiro para passear; e
(3) Gasta zero com hospedagem!

E o anfitrião, o que ganha?
Bom, primeiro que geralmente ele também é um viajante que curte retribuir as hospedagens bacanas que ele já teve via CouchSurfing. Em segundo lugar, é uma oportunidade de fazer amigos e ouvir as experiências dos viajantes. Por último, é legal o sentimento de acolher e fazer o bem, né?

Em alguns casos, o viajante acaba ficando em hostel ou hotel mesmo, mas usa o CS para encontrar locais que estejam dispostos a conversar ou passear. Existem inclusive vários grupos e eventos organizados virtualmente na plataforma da comunidade. Veja o exemplo:

Eventos do Couchsurfing


Agora que você entendeu como funciona, pode estar pensando como um bom brasileiro: "Espera aí. Deixar qualquer um entrar na minha casa (ou vice-versa) pode ser muito perigoso! Além disso, dormir no sofá dos outros pode ser uma furada...". Chegamos à pergunta que corresponde ao título desse post:

CouchSurfing é seguro e vale a pena?

Sendo bem direta, a resposta é "sim e sim". Afirmo com respaldo nas experiências que eu tive (veja mais detalhes no último tópico deste artigo).

Em relação à segurança, imagino que você não seja inocente ao pensar que não existe gente mal intencionada fazendo parte da comunidade. Isso existe em todo lugar. As dúvidas mais comuns são: Pode ser que o anfitrião só esteja interessado em transar comigo? Pode. Existe o risco de eu me hospedar na casa de uma pessoa que queira me roubar? Lógico que sim. A plataforma vai me ressarcir ou proteger caso alguma dessas situações ocorram? Não.

Mas há algumas formas para identificar quais pessoas são ou não confiáveis. Use os recursos da plataforma para identificar quem tem amigos, boas referências, fotos e um perfil completo que pareça sincero. Se você é mulher, a opção mais segura é se hospedar em casas de mulheres, famílias ou casais.

Quanto à valer a pena, vai depender das suas expectativas. Quem hospeda várias pessoas, normalmente já descreve no próprio perfil onde fica a casa, o que você vai ter de (des)conforto e se vai ser possível ou não te dar bastante atenção. Aí você pesa antes de combinar qualquer coisa e voilà!

Como foram as minhas experiências com o CouchSurfing

Para mim, essa comunidade revolucionou o conceito de hospedagem para os viajantes mais aventureiros, open mind ou seja lá como você prefere chamar. Como contei aqui no post Viajar barato: mais 5 dicas para economizar em viagens internacionais, já utilizei bastante essa comunidade para me hospedar na Europa:

  • Budapeste: ficamos (eu e meu namorado) na casa de um brasileiro que estava participando do Ciências Sem Fronteiras. Ele foi incrivelmente receptivo com a gente! Dormimos em uma cama de casal e ganhamos várias dicas sobre onde ir. Ele também nos acompanhou em alguns passeios, nos apresentou a uns amigos e nos levou pra assistir jogo no bar. Ficamos lá por uns 5  maravilhosos dias.
  • Viena: quem nos hospedou foi um homem de família indiana mas que cresceu em Viena mesmo. Como ficamos lá durante o meio da semana, ele trabalhava e não teve muito tempo pra sair conosco. Mesmo assim, nos deu várias dicas do que fazer, conversamos bastante quando ele estava em casa e ele cozinhou um prato indiano pra nós. Retribuímos com um arroz com feijão e ovo haha... Ele disse que gostou! Dormimos em um sofá cama bem confortável na sala de estar dele.
  • Praga: ficamos na casa de um tcheco. Mais do que isso, ficamos alguns dias com a casa dele SÓ para nós, porque ele foi viajar antes de irmos embora. Ele também foi incrível: nos buscou de carro na estação de ônibus e, no caminho, já veio mostrando a cidade e dando algumas dicas. Jantamos juntos em uma pizzaria que ele adora e fomos assistir uma partida de futebol com ele os irmãos dele. Dormimos em um quarto com uma cama de casal deliciosa e tinha um banheiro bem do lado, ambos só pra nós! Esse cara que nos hospedou é tão querido entre os couchsurfers que tem até um livro cheio de recadinhos de todos que ele já acolheu.
  • Londres: aqui eu me hospedei sem meu namorado. Confesso que não tive tanta sorte como nas cidades anteriores, mas foi de longe muito melhor do que alguns hostels que fiquei em Londres outras vezes. Antes de aceitar o meu couch request, a menina já avisou que tudo o que ela tinha a oferecer era um sofá com saco de dormir e que ela não ia poder me dar muita atenção. Mesmo assim, conseguimos almoçar juntas um dia e foi legal poder conversar com alguém que nasceu e cresceu em Londres.

Essas quatro pessoas me fizeram ver o quanto uma viagem pode ser diferente e acolhedora. Me deram a oportunidade de, mesmo sendo turista, poder enxergar a cidade com os olhos de um local.

Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de hospedar ninguém. Sempre morei ou em lugares muito pequenos (studio de menos de 40m² e com um sofá pequenininho) ou com várias outras pessoas. Mas pretendo, sim, aceitar alguém assim que tiver a oportunidade.

E você, toparia arriscar um couchsurfing? Se a resposta for sim, leia esse post que preparei com dicas de como fazer um bom couch request.

Boas hospedagens por aí e até o próximo post!


---> Posts relacionados:
Como fazer um couch request infalível para o CouchSurfing
Viajar barato: mais 5 dicas para economizar em viagens internacionais
House Sitting: tudo o que você precisa saber a respeito!



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Sobre Mayumi Tsuruyama

Me formei em Administração por adorar o universo empresarial. Mas também sou freelancer e blogueira, por amor ao mundo e à liberdade. Encaro todas as viagens que já fiz e ainda farei como trajetos de uma viagem maior, que é a vida. Seja como turista, estudante, trabalhadora ou mochileira, viajar me completa. E eu ainda tô longe dos 100%!
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10 comentários:

  1. Muito bom seu texto e obrigada por compartilhar a sua experiência! Vou fazer meu primeiro couch no Paraguai (Assunção) no final deste mês. Estou indo com um amigo, etnão me sinto mais segura. Este meu amigo já fez couch 3 vezes pelo Brasil e só tem contado coisas boas =) Gosto muito de viajar, na maioria das vezes estou sozinha ou com algum amigo (a) e costumo ficar em hostel, mas a experiência do couch deve ser engrandecedora.

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    1. Oi, Verônica. Que bom que você gostou :D

      Boa! Ir com um amigo é uma excelente opção, tanto para se sentir mais segura fazendo couch quanto para ter um parceiro de viagens. Tomara que o host de vocês seja bem bacana! Se puder, depois conta aqui como foi a sua experiência.

      Um beijo e obrigada pela visita!

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  2. Muito bom texto! Fui hospedado por pelo menos 30 diferentes casas na Rússia e tenho as melhores experiências da vida, aprendi muita coisa nova com os meus hóspedes, que sempre me trataram como um familiar. Sou autor do blog Descobridor da Rússia.

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    1. Muito obrigada pelo elogio, Cristiano :)
      Couchsurfing é realmente algo revolucionário em viagens, né?!
      Uau, a Rússia é um lugar que ainda está na minha lista! Vou dar uma olhadinha no seu blog pra aprender um pouco sobre esse país que sei tão pouco.

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  3. Olá Mayumi! Muito bom ler sobre suas experiências. Estou indo para Budapeste e Praga com uma amiga, nunca utilizei couch surfing e estou receosa. Gostaria de indicações por favor. Você ainda tem contato com esse brasileiro em Budapest? Obrigada

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    1. Oi, Danusa! Espero que meu relato tenha te ajudado.

      Infelizmente esse brasileiro onde fiquei não mora mais em Budapeste já faz uns 2 anos, então ele não poderia te ajudar. Como você vai com uma amiga, já é bem melhor do que ir sozinha. No mais, o que posso lhe recomendar é aquilo que já falei no post mesmo: "Mas há algumas formas para identificar quais pessoas são ou não confiáveis. Use os recursos da plataforma para identificar quem tem amigos, boas referências, fotos e um perfil completo que pareça sincero. Se você é mulher, a opção mais segura é se hospedar em casas de mulheres, famílias ou casais." Você também pode tentar achar a pessoa no Facebook e dar uma olhadinha no perfil dela ;)

      Boa sorte e uma ótima viagem! Se puder, depois volta aqui pra contar como foi a sua experiência. Um abraço!

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  4. Que bacana mayumi descobri a pouco essa plataforma (atrasada ne) rsrs estou querendo experimentar confesso que tenho um pouco de receio mas estou planejando ir para Eua e tentando convencer meu marido a embarcar nessa cmg bjs e obrigado por partilhar conosco suas experiências!

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    1. Haha normal! É tanta coisa acontecendo que fica difícil acompanhar tudo mesmo :D É como eu falei: riscos tem e não é tãaao simples assim de conseguir, mas pesquisando os anfitriões direitinho, pode ser uma experiência incrível. Tomara que vocês consigam experimentar!

      Obrigada tbm pelo comentário. Um beijo!

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  5. Oi tem contato desse anfitrião de Praga?

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